Entrevistas Zone
Thursday, February 24, 2005
  Dj Ride - O Percurso DJ Ride começa a construir a sua carreira, interessado desde algum tempo na arte do turntablism , conseguui arranjar os seus technics e começar a desenvolver o que hoje já começa a dar que falar, o seu novo site alojou-se em www.djride.com e é um bom veiculo de divulgação dos seus trabalhos... conheci Dj Ride através de um artigo sobre turntablism no MPC e por isso mesmo agora uns meses mais tarde e com novos trabalhos na manga resolvemos entrevistá-lo para MPC4000!






The_Producer: Ride há quanto tempo te interessaste pelo turntablism?

Dj Ride: Pelo turntablism especificamente foi algo recente, cerca de 4 anos, tendo em conta que, devido há falta de informação, antes de ver e ler muita coisa não sabia ao certo o real significado da palavra… Mas desde os meus 10 anos, talvez até mais cedo não sei, que sonhava poder ter o material necessário, algo que só aos 17 é que consegui concretizar.



TP: É dificil começar?

Ride: É difícil começar quando não há ninguém que possa ajudar, quando estas sozinho, quando toda a gente olha com cepticismo para um sonho teu ou quando nem sabes para onde te virares para poderes dar o primeiro passo. Graças a Deus sempre levei uma vida normal com os seus altos e baixos mas o material é tão caro que os meus Pais não me podem ajudar com as despesas… Mas trabalhando tudo se resolve e foi assim que eu consegui. A nível de evolução, de aprenderes as técnicas, as bases os nomes etc. hoje em dia com a Internet o acesso a essa informação é bastante fácil, mesmo que ao principio eu me tenha afastado de tudo isso para poder descobrir as coisas por mim próprio, e para que o que eu pudesse ver e ouvir não me influenciasse demasiadamente. Preferi aprender certas coisas sozinho para que fosse mais fácil para mim trabalhar num estilo próprio, em vez de me limitar a ver os ‘tutorial’s’ e a imitar roboticamente o que está lá. Há dois anos um amigo meu apresentou-me o dj Ovelha Negra e desde ai que nunca mais paramos de nos ajudar um ao outro, The Beat Bomber’s, real turntablism crew… Mas é engraçado que já na altura em que nos conhecemos tínhamos bases e pattern’s em termos de scratch características de cada um, o que acabou por fazer com que até hoje nunca copiássemos as técnicas um do outro mas sim aperfeiçoa-las. A ajuda nessa altura foi mais a nível de união, motivação, amizade, dado que a parte técnica treinávamos e continuamos a treinar sozinhos individualmente, mas se tiveres alguém quando começas ao teu lado a ajudar-te tudo se processa mais rapidamente.




TP: Se te pedisse para explicar um pouco o teu estilo em algumas palavras, como descreverias?

Ride: Aqui está uma difícil… O meu estilo varia consoante a minha disposição, consoante o que acontece ao meu redor ou da maneira como acordo… Há dias em que consigo ser mais melódico e criativo, outros dias mais monótono e repetitivo, mas, no geral, tento ser o mais simples possível, pondo na maior parte das vezes a musicalidade há frente da parte técnica, para que tudo soe bem e de uma forma natural.



TP: Idolos, referencias, principais mestres?

Ride: Para mim, idolo referência e mestre D Styles sem dúvida, para mim o melhor do mundo naquilo que faz, tem o estilo mais simples e melódico e ao mesmo tempo técnico e complexo que pode haver, Ricci Rucker pelo génio, originalidade e forma como aos poucos tem mudado o conceito de produção com scratch com as suas inovações, dj Ovelha Negra (the real one) por aquilo que é, pelas suas produções, scratch simples e melódico e as melhores mixtapes que já me entraram pelo ouvido, Mike Boogie pela produção, Excess e Toadstyle pelo estilo e produções também, depois 2Tall, Tobeyer, Alias, BNN, C2C, N Stylus, Lamont, Shadow entre muitos outros.



TP: A nivel nacional como estamos de turntablism, com o ITF a porta será que começam lá fora a reparar nos skills dos turntablists nacionais?

Ride: Espero não ser mal interpretado com a resposta que vou dar… Talvez não possa falar muito porque não tenho uma ideia geral do nível, do skill etc. a nível nacional porque, já fui a muita festa, já vi e ouvi bastantes trabalhos, mas a nível de scratch puro e duro nunca vi nem ouvi nada significativo em quantidade para poder afirmar que, sim temos boas hipóteses de chegar longe ou por outro lado não nem pensar. O ITF assim como outros eventos vão ser excelentes para, finalmente, termos uma ideia clara do panorama do turntablism nacional. Vamos ter reunidas as caras conhecidas assim como outras menos faladas e vai haver oportunidade de ver o que cada uma delas tem para nos mostrar, ai sim talvez fique com uma ideia mais clara da cena scratch nacional. Existe muito boa gente como é sabido que tem muita técnica em Portugal, mas por outro lado, para quem acompanhe o que se faz lá fora, talvez chegue há conclusão que só muito poucos levam a sério o scratch puro. Por outras palavras, existem muitos dj’s de hip hop e que fazem scratch, mas Turntablism puro a 100% ou Scratch Musician’s, projectos concretos não temos expressão… Temos bons dj’s, que animam as festas e como referi têm boa técnica, mas alguém que faça carreira unicamente pelo scratch e produção só através dele não, algo que lá fora não se verifica. Talvez esta situação se inverta nos próximos tempos, eu acredito que sim, embora haja um menor interesse por isto como é sabido. O ITF e outros eventos vão servir de exponenciadores ao movimento underground, quer pelo lado bom que já referi, quer pelo lado mau. Como acontece também lá fora, se de um ponto de vista vamos ter este tipo muito peculiar de musica a chegar a um maior numero de pessoas, e um maior numero de pessoas a interessarem-se, por outro lado vamos assistir a certas figuras tristes que se constatam um pouco por todo o lado, quer no que está ligado ao Hip Hop quer em muitas outras coisas. A ignorância leva a que muita gente fale e assume atitudes e posturas menos próprias… Tenho visto e ouvido por todo o lado pessoas quer mais novas quer mais velhas do que eu que compram o material de um dia para o outro e em 3 meses já se acham muito bons e capazes de tudo, sem respeitarem quer a cultura, quer as origens, quer quem está aqui há mais tempo, copiando tudo o que vêm há frente só para um único propósito, a procura de protagonismo. Temos muitos wannabes, falta-nos publico, alguém que apoie e que ajude como no estrangeiro já acontece há muito. Façam música por aquilo que ela é, pelo vosso amor há arte, e não para obter estatuto ou ver o vosso nome espalhado por ai com o clichet dj antes dele.





TP: Para além de turntablist és produtor, que achas do nivel de produção que temos no momento cá no pais?

Ride: Muito bom mesmo. Gosto de muita coisa nacional, seria até injusto estar a referir alguns nomes porque são muitos, quer em hip hop quer em outros estilos musicais. É de salientar também que existe muita gente infelizmente com muito poucos meios e que mesmo assim faz muito boa musica.




TP: Este é um momento fulcral para ti, tens agora o teu proprio site on-line, estás a pensar em editar trabalhos brevemente, em que pé estão? Quais são os teus projectos do presente, e a que te queres agarrar no futuro?


Ride: Depois de ter lançado o meu primeiro trabalho a solo, está quase ai a fazer um ano, estive parado uns tempos até, no passado natal, voltar a sério as produções só através de scratch. Fiquei mesmo muito contente porque consegui fazer algo mais a sério, mais trabalhado, mais dinâmico. Fiz cerca de 20 instrumentais novos nessas 2 semanas mas não tenciono divulgar entretanto até ter outros 20 para poder fazer uma selecção a sério, porque ao contrário do meu primeiro cd, o próximo vai ter necessariamente que estar a sério mesmo continuando a ser uma cena independente. Talvez no final de Agosto possa sair alguma coisa minha, com varias participações, algo diferente e original. Um cd feito com scratch mas que toda a gente pode ouvir, e mais do que isso, mesmo quem não goste de scratch, pode vir a gostar das musicas… Vai ter não só a cena pura de scratch mas também musicas híbridas com a participação de vários músicos quer na bateria, guitarra e sintetizadores, mas estando relegado sempre o papel principal para o gira discos. O primeiro cd de Beat Bomber’s está quase ai, muito scratch e muitos instrumentais hardcore, assim como uma mixtape. Entretanto tenho andado com um novo projecto instrumental com uma banda que me vai ocupar bastante nos próximos tempos e que tenho estado a adorar participar. Tenho também dado atenção ao meu site, que tem sofrido actualizações de 2 em 2 semanas, e é claro, as várias actuações ao vivo com Beat Bomber’s um pouco por todo o lado e o meu treino religioso quase diário no estudio.







TP: Alguma coisa que queiras acrescentar?

Ride: Antes de mais nada agradeço-te a ti e a todos os que desde o princípio me apoiaram e acreditaram em mim. Quero pedir desculpa aqueles que tenham dúvidas daquilo que faço, dado que existe diferença entre Dj de hip hop, de scratch, turntablist e scratch musician. Passem pelo meu site http://www.djride.com/ leiam os artigos e ouçam os sons ou se tiverem oportunidade vejam Beat Bomber’s ou outro dos projectos do qual faço parte ao vivo e tirem as vossas próprias ilações. Para finalizar, quero apenas dizer que, tudo isto é arte, não é auto propaganda, é musica pela música, é o sonho por aquilo que ele representa… Aproxima-se ai o ITF e uma grande viragem em Portugal, dêem um passo de cada vez e sejam honestos convosco próprios. A ideia de ‘battle’ e de ‘competição’ muitas vezes não leva ao melhor caminho, porque Estilo, Arte e Musica não podem ser avaliados com uma pontuação de 0 a 20 ou em 3 ou 6 minutos de show. Façam o que têm a fazer pelo Amor e não por tentar chegar mais rápido ou devagar a um caminho que só alimenta o vosso ego. Divirtam-se, that’s all about.


TP: Boa Sorte para o ITF (neste caso a final, pois Dj Ride foi apurado para a final que se realiza amanha em Gaia, no Hardclub)

Paz mano. 
Friday, January 28, 2005
  TONY MC DREAD! (Entrevista adaptada de um programa de PIB na RIIST, live com Pedro Lopes)


Pedro Lopes: O artista em cotação em alta esta semana é Tony Mc Dread, back from the era Rapública.

PL- Tens um trabalho novo na manga, fala-nos um pouco desse trabalho, já estavas parado há algum tempo.
Tony Mc Dread: Sim, não editava nada desde há 10 anos, onde pertenci aos Zona Dread, agora surge este projecto: chama-se 100 Papas na Língua, porque como eu todo o hip hop eu digo simplesmente aquilo que tenho a dizer, e tudo o resto não conta ou sem conta conta muito pouco para o que eu escrevo, o que penso foi o que transmiti para o papel, e saiu este albúm sincero, 100 Papas na lingua.

PL: Este disco gira a volta do que Tony?
TMD: Estas músicas giram á volta do que eu vejo na sociedade portuguesa, mais nomeadamente no pessoal jovem, e tento descrever isto numa maneira até um pouco de abrir os olhos a quem pensa que isto é tudo rosas... e muito bonito.

PL: O que anda agora ai em rotação, é concerteza o single “Tive Lá”, fala-nos um pouco dele...
TMD: O “tive Lá”, penso que é o tema que identifica mais as pessoas até porque falo de coisas banais, no entanto existe uma crítica nesse son, pois o tema são as férias, mas no entanto falo de que toda a gente escolhe o mesmo sitío, existe uma certa falta de originalidade.



PL: Para quem ainda não ouviu o disco, isto hoje em dia dizer que um dsico é de Hip Hop, é muito vasto, queres especificar um pouco, tentar definir a sonoridade do albúm? Já notei aqui elementos de Hip Hop mais puro, de soul, enfim...
TMD:O Hip Hop sampla vários tipos de som, o que como músicos obriga-nos a identificar com essas músicas, indo beber muita da sua musicalidade e sonoridade, não quer dizer que o produto final seja directamente uma essência soul ou funk, mas o som vem daí e por isso deixo sempre as raízes do hip hop no meu som, e gosto muito dissso.

PL: Quanto a convidados, neste teu novo album?
TMD: Tive participações de Jazzy J, ex-zona dread, o Praga dos Nigga Poison, Americo Gomes Wise G, Tony Montana, que é um frencês que está cá no nosso país já há alguns anos e entro com um flow francês que foi muito bom, Maria Morbey dos Jazz Band, enfim entre outros... essencialmente participações, pois de resto são producções e para isso contei com algumas pessoas como o Dj Link, o Kronic, o Sagas e eu próprio produzi muitas das faixas do albúm.

PL: Qual é a tua principal preocupação neste momento?
TMD: Neste momento estou a tentar fazer com que as pessoas ouçam o disco, só assim é que se pode falar dele, primeiro ouvir...




PL: Sim isso é um mal do público português, falam muitas vezes sem ouvir os discos primeiro, e isso nada de positivo traz a cultura...
TMD: Exacto, não é o que o nosso vizinho disse que vai ditar se aquele grupo vale ou não vale, ou vemos ao vino, ou ouvimos o seu disco, logo depois é que tiramos as nossas conclusões...

PL: Tony, tu estás na cena já a muitos anos, como achas que está o hip hop nacional neste momento, achas que evolui, achas que estamos a acompanhar a cena lá fora?
TMD: Acho que principalmente o Hip Hop português está a ficar maduro, nós tamos a começar a ver o hip hop com mais frequência nas ruas, nos ginásios, em aulas que pelo menos eles chamam de hip hop, nas tvs, nas rádios interessam-se mais, não só o teu caso, mas temos outras rádios, a Antena 3 a Cidade, entre tantas outras e isso ajuda, e o hip hop começa a ficar mais sólido. E isto assim vai evoluir de certeza, começamos a ter solidez em vez de solidão e começamos a pensar a longo prazo em vez de pensar a curto prazo, tipo:”ya vou lançar o meu album e agora vem ai a guita” e agora pensa-se na música...



PL: O que achas que o teu disco trás de novo no meio disto tudo?
TMD: Essencialemente diversidade musical, com uma componente importante que acontece na maioria de discos de hip hop que é a rima, que fala num tema concreto que toca a muitos de nós, e penso que o que faltava na cena nacional é mesmo diversidade muiscal o que se revela muito bom para já... e assim não tenho dúvidas que a evolução do hip hop está garantida, a próxima geração vai agarrar o hip hop com unhas e dentes...

PL: Tony, agradeço-te teres vindo cá, espero que tenhas gostado daqui do Produto Interno Bruto e da rádio do IST.
TMD: Curti, boa onda..

PL: Já sabem o disco 100 papas na linguam novo trabalho de Tony MC Dread, big up Hip Hop Nacional...
TMD: That’s right, big up...





The_Producer thanks RIIST, André e Ricardo
Thanks TMD and Luis Juve.
Peace


 
Saturday, January 22, 2005
  ENTREVISTAS @ MPC Próxima e primeira entrevista! Tony Mc Dread!!!

Entrevista audio e texto realizada para a rádio RIIST, sobre o álbum:100 papas na lingua!



por: The Producer

Paz!

 

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